Uma vez por ano, as ruas de Madureira, no sub?rbio carioca, s?o tomadas por diferentes cores em celebra??o ao orgulho LGBTI+. Organizar o evento, que mistura festa e luta por direitos, envolve desafios que v?o al?m de apenas colocar trios el?tricos na pista.![]()
![]()
Para a seguran?a de todos, ? preciso suspender o emaranhado de fios que conectam os postes do bairro. Quando chove, a log?stica ? suspensa e a manifesta??o precisa se adequar ?s limita??es do ambiente.
Not?cias relacionadas:
- Parada do Orgulho LGBT+ de SP 2026 abordar? import?ncia do voto.
- Blocos LGBTQIA+ do Rio de Janeiro pregam alegria e pluralidade.
- Ato nos Arcos da Lapa pede fim da viol?ncia contra mulheres e LGBTQIA+.
?N?o ? igual ? Copacabana, na Avenida Atl?ntica, onde os trios podem colocar coberturas contra a chuva e seguir desfilando tranquilos. Madureira tem outras dificuldades?, explica Rog?ria Meneguel, presidente e organizadora da Parada LGBT+ de Madureira.
Presidente da ONG Movimento de Gays, Travestis e Transformistas, Rog?ria Meneghel. Foto:Rovena Rosa/Ag?ncia Brasil
?J? aconteceu de chover muito em um ano e a Parada n?o conseguiu andar. Ficou, literalmente, parada. Desde o ano passado, estamos fazendo o evento dentro do Parque de Madureira, para lidar com essas quest?es?, complementa.
Da mesma forma como ocorre entre os bairros, munic?pios menores lidam com problemas diferentes em rela??o ? capital fluminense. O Encontro Estadual de Paradas do Orgulho LGBTI+, que acontece neste s?bado (25), no centro do Rio, pretende fortalecer a troca de experi?ncias entre lideran?as de diferentes territ?rios.
?ɠfundamental que as cidades maiores tamb?m deem sustenta??o e suporte pol?tico, institucional e cultural para as cidades com maior dificuldade?, diz Cl?udio Nascimento, presidente do Grupo Arco-?ris, organizador da Parada de Copacabana.
?O que deu certo para um pode servir de refer?ncia para outro. E nos reunimos para pensar juntos quais s?o as principais pautas da comunidade. Unidos, aumentamos as vozes e damos mais visibilidade para nossas lutas?, completa.
Demandas do interior
Portanto, nem tudo se resume ? estrutura e log?stica. Organizar uma Parada envolve tamb?m enfrentar uma rea??o conservadora que tenta limitar direitos e demandas da popula??o LGBTI+.
O presidente do coletivo Arraial Free, Rafael Martins, que organiza a manifesta??o em Arraial do Cabo, na Regi?o dos Lagos, conta que os ?ltimos 14 anos foram de constante luta para colocar o movimento nas ruas.
?O munic?pio ainda tem muitas pessoas preconceituosas, sabe? Mas estamos resistindo e mostrando para a nossa regi?o, muito conservadora, que n?s existimos, estamos ali e que precisamos de pol?ticas p?blicas para a popula??o LGBTI+?, diz Rafael.
Ele explica de que forma as experi?ncias do munic?pio podem contribuir para o debate coletivo.
Rafael Martins, respons?vel pela manifesta??o em Arraial do Cabo, na Regi?o dos Lagos do Rio de Janeiro, pede mais pol?ticas p?blicas para a popula??o LGBTI+. Foto: Rovena Rosa/Ag?ncia Brasil
?N?s nos movimentamos, antes mesmo da Parada, com os comerciantes para pedir apoio e patroc?nio. Contamos com parceiros na hotelaria e em mercados. ?s vezes, ? s? um engradado de ?gua, mas que j? ajudam muito. O que eu tento levar para todo mundo ? que n?o precisa ficar fissurado apenas na Prefeitura, no apoio institucional. Tamb?m podemos dar as m?os para quem est? do nosso lado e avan?ar juntos?, diz Rafael.
Espa?o coletivo
Pelo menos 35 munic?pios est?o representados no evento, que ocorreu pela ?ltima vez h? dez anos. A organiza??o ? do Grupo Arco-?ris de Cidadania LGBTI+, com apoio do Programa Estadual Rio Sem LGBTIfobia, da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Social e Direitos Humanos, do Teatro Carlos Gomes e da Secretaria Municipal de Cultura.
Durante?o dia, rodas de debates abordam temas como: a estrutura institucional e a viabilidade dos eventos; a organiza??o pr?tica das Paradas; engajamento social e voluntariado; apoios e patroc?nios; promo??o de direitos e sustentabilidade ambiental e agendas socioculturais.
Tamb?m est? prevista a constru??o coletiva do calend?rio estadual das Paradas, para fortalecer estrat?gias de coopera??o entre os territ?rios e ampliar a visibilidade das mobiliza??es.
Cl?udio Nascimento ? organizador da Parada de Copacabana. ?Unidos, aumentamos as vozes e damos mais visibilidade para nossas lutas?. Foto:??Rovena Rosa/Ag?ncia Brasil
As Paradas de Arraial do Cabo e de Copacabana, por exemplo, j? definiram as datas: v?o acontecer nos dias 13 de setembro e 22 de novembro, respectivamente. A de Madureira ainda n?o foi fechada, mas a previs?o ? que ocorra em novembro tamb?m.
A plen?ria final do encontro prev? a formula??o de 25 recomenda??es para fortalecer os movimentos, estabelecer prioridades de incid?ncia pol?tica e propostas para uma nova reuni?o dos territ?rios.
?Fico muito feliz de ver esse movimento crescendo tanto pelo pa?s. Hoje, s?o mais de 500 cidades brasileiras com Paradas. Se a gente for ver proporcionalmente, o Rio de Janeiro ? o estado com maior n?mero, levando em considera??o que temos 92 munic?pios e mobiliza??es em 38 deles?, diz Cl?udio Nascimento.
?? um per?odo muito dif?cil, com muitas tentativas de impedir a liberdade de express?o e os movimentos sociais LGBT+ nas cidades. Continuamos o trabalho para fortalecer a nossa rede?, finaliza.
?